Os preferidos da praça

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Fiat Siena é carro mais popular entre taxistas de Belo Horizonte, seguido de Palio e Idea. Perfil da frota revela curiosidades, como 12 modelos únicos em circulação

Desde que deixou de ser motorista no extinto Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e virou taxista, Neri Batista já foi proprietário de Ford Corcel, Gol, Parati e, por último, Santana. Sem o sedã da Volkswagen como opção de compra entre os modelos zero quilômetro, o profissional da praça migrou para a Chevrolet. Hoje, Batista está no segundo Astra Sedan, justificando a escolha por conta da “mecânica confiável”. Entre os 6.357 táxis convencionais de Belo Horizonte, o modelo de Batista, porém, não é tão comum. Segundo o perfil da frota do Sistema de Gerenciamento de Táxi da BHTrans, existem 50 unidades de Astra Sedan circulando nas ruas da capital.

É pouco, se comparado aos 2.277 Sienas da frota, incluindo a versão 1.4 Tetrafuel. O sedã da Fiat lidera a lista de modelos preferidos da praça, seguido do Palio e do Idea, monovolume que tem se tornado popular entre os taxis-lotação que percorrem a Avenida Afonso Pena, região central da cidade.

“É um carro espaçoso, de manutenção barata e que atende as novas normas”, comentou o taxista Bruno Gurgel, ao se referir à Portaria DPR 003/2010 da BHTrans, que altera as medidas internas mínimas para os carros que entram nesse tipo de serviço. A altura do assoalho ao teto atrás e a largura do assento do banco traseiro, por exemplo, devem ser de, no mínimo, 128cm.

Também comum entre os táxis-lotação, o Chevrolet Meriva é o nono carro do ranking, enquanto o multiuso Renault Kangoo acumula apenas uma unidade entre os táxis belo-horizontinos. Outros 14 modelos de automóveis são registrados como filhos únicos, incluindo um Ford Versailles e um Volkswagen Pointer, ambos fabricados em 1995, o que contraria a idade média da frota, de 2,1 anos, e idade máxima, de até sete anos com vistorias trimestrais.

A lista inclui ainda um Volkswagen Gol 1986. A BHTrans se explicou, via assessoria de imprensa, dizendo que se trata de táxis que não circulam mais cujo donos morreram e as licenças não foram transferidas.

PERUAS E SEDÃS Donas de um porta-malas espaçoso e que pode fazer a diferença numa corrida, a Fiat Palio Weekend aparece no quinto lugar, enquanto a variação Trekking, de estilo fora-de-estrada, vem em sétimo, à frente da Volkswagen Parati, na 11ª posição. “Escolhi a Trekking pelo porta-malas maior e desenho mais bonito que o da Palio Weekend ELX”, comentou o taxista Luiz Henrique dos Santos.

Sedãs médios são artigo de luxo entre os táxis brancos, ficando restritos a 21 Chevrolets Vectras, 15 Toyotas Corollas, um único Hondas Civic e 14 Volkswagens Santanas produzidos de 2003 a 2006 – o perfil da frota também contabiliza um Santana 1995 e cinco unidades 2002.

Apesar da predominância da marca Fiat, Doblò e Linea foram pouco emplacados e acumulam oito e 15 unidades, respectivamente, entre os táxis, beneficiados pela isenção de IPI e ICMS, de acordo com o modelo e cilindrada.

Já o novo Volkswagen Voyage, com 51 carros em circulação, ainda não conquistou a mesma fama de robustez do Santana, que não teve sucessor. “Tive três Santanas, mas jamais compraria um Voyage novamente. Em cinco meses de uso, meu táxi já apresentou vários problemas e até parou no meio da rua”, reclamou o taxista Derley Ramos, dono de um modelo 1.0 2010.